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ALAN NASCIMENTO E PAULA MACHADO REPÓRTERES
No calendário mundial parece não existir dia tão estereotipado como a sexta-feira (13). Esse dia, considerado por muitos como de extremo azar, acontece ao menos uma vez por ano. Há também aqueles que, de tão surpersticiosos, chegam a temê-lo. E isso tem um nome: parzkevidekatriafobia, uma palavra formada por três termos gregos, paraskevi (sexta-feira), dekatria (treze) e fobia (aversão), ou seja, medo da sexta-feira treze. Hoje, pode-se observar que algumas pessoas estiveram atentas ao acordar, com o pé direito; ou terão cuidado para não passar debaixo de uma escada. Quando veem um gato preto então, nem se fala. Acontece que, supersticiosos ou não, talvez a maioria das pessoas não conheça a origem desse tão mal afamado dia. Conta-se que essa superstição pode ter se originado no século XIV, numa sexta-feira 13, de outubro do ano 1307. Naquela época, o rei Filipe IV, da França, declarou guerra à Ordem dos Templários, mandando prender e executar vários dos membros daquela que era considerada uma seita herética. Alguns a relacionam ao fato de Cristo ter sido crucificado numa sexta-feira 13. Existem também versões na mitologia nórdica. De acordo com uma dessas, houve um banquete no qual foram convidados 12 deuses; Loki (deus da trapaça), enciumado, apareceu de repente, brigou e causou a morte de Baldur, um deus bondoso. Por isso, dizer que promover um jantar para treze pessoas é arriscar ao infortúnio. A disseminação dessa crendice fortaleceu-se no século XIX, e se intensificou no século seguinte, prosseguindo até os dias de hoje. Cientistas de uma universidade na Inglaterra chegaram a concluir que o risco de pessoas que se envolvem em acidentes, neste dia, é até 52% maior que o normal, em razão da tensão que algumas pessoas desenvolvem nesse dia de má sorte. Segundo outra versão nórdica, a deusa do amor e da beleza, Friga, foi tida como bruxa pelas tribos bárbaras, que se converteram ao cristianismo. Como retaliação, ela se reunia, toda sexta-feira, com mais onze bruxas e um demônio, para promoverem distúrbios na rotina dos humanos. Não é raro encontrarmos, nas artes expressões, as mais variadas sobre um tema tão assustador e ao mesmo tempo atraente. Surgem assim personagens exóticos e expressões do mal, configurados no imaginativo humano, alguns que causam admiração, por se situarem entre o limite da extravagância e da redenção. Tão antigos quanto o próprio homem, os vampiros habitam nosso imaginário desde muito cedo. Alguns são citados em lendas da antiguidade. Já na idade média havia histórias sobre seres que se alimentavam de sangue. Naquela época, muito mais que as bruxas, os vampiros assustavam mais e por isso começaram a povoar a literatura clássica. Dentre os clássicos está “Drácula”, de Bram Stoker, publicado em 1897, que perdura até os dias atuais. Esse livro foi o precursor da literatura sobre vampiros. Com o passar dos tempos, os vampiros ainda continuam vivos, se adaptando às épocas e aos modismos. Na ficção e no folclore, esses seres fantásticos conquistaram o mundo e se tornaram, hoje, símbolos sexuais de muitas adolescentes. Livros e seriados abordando esses temas estão surgindo a cada dia e ocupando seu espaço na vida de mais pessoas, como, por exemplo, a Saga Crepúsculo, da escritora Stephenie Meyer, a série de livros Diário de Vampiros, da escritora Lisa Jane Smith, além de seriados famosos como True Blood, Buffy CaçaVampiros, Angel Weekday Mornings, bloodties e Split.
A visão moderna que persiste é de que os vampiros são heróis, com sentimentos e características mais humanas. Um grande exemplo dessa inversão de papéis é a Saga Crepúsculo, que atingiu a maioria dos adolescentes apresentando vampiros “do bem” que não se alimentam de sangue humano, e que pode até se apaixonar por uma humana, tornando-se, com seu jeito sedutor e romântico, um príncipe encantado para várias adolescentes.
Assim, se ainda persiste uma certa fobia à sexta-feira 13, admitamos que os vampiros, à parte, conquistaram corações. Supersticiosos? Talvez. O certo é que hoje muitas, e por que não muitos, estarão alardeando pelo mundo a sua vampirofilia.
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