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Despertava, mui vezes na soledade dos campos sobre a relva ou no aconchego de um tronco de árvore, ouvindo o canto dos pássaros e a dança das borboletas multicores, no arrebatamento das manhãs brilhantes de sol... Também fui surpreendido pelas chuvas, a procurar abrigo nos buracos ou grutas próximas. Aurora e crepúsculo se confundiam sem que me desse conta e tudo se confundia, como em um sonho; e, recomeçava a andar novamente pela estrada afora, vendo a mirÃade de vagalumes iluminando a noite e o chiado dos animais noctÃvagos. Nas tardes ensolaradas, metia as trapas no saco e em um rio ou riacho/próximo banhava meu corpo magro e nu; alimentava de frutos silvestres e recomeçava as andanças, tão só, mas não sozinho, pois Ele sempre acompanhava e guiava meus passos. Andei por vários lugares, trilhei diversos caminhos e em toda esta imensa trajetória, conheci pessoas boas e más. Muito lares abriram suas portas, outros vedaram a entrada a atiçaram seus pobres cães. Entretanto, ainda que tinha o corpo corroÃdo pela fome, e meus lábios ressecados pela sede, jamais proclamaram palavras injuriosas, ressentimentos ou blasfêmias, pelo contrário, a todos implorei o nome de Jesus como louvor. Hoje, afinal, trago meu corpo já velho e cansado no abrigo e repouso do catre desse asilo de idosos, sob a custódia de pessoas boas e caridosas, serenamente aguardando a hora em que o Criador me oferte o repouso final. |