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Gazeta Norte Mineira - Petrônio Braz

Petrônio Braz

(*) ESCRITOR E ADVOGADO

 



Cabo que foi soldado não presta
Seg, 30 de Agosto de 2010 11:27

Já concluída a necessária revisão para a 2ª edição de meu livro “Serrano de Pilão Arcado – A saga de Antônio Dó”, recebo do sargento Raimundo de Oliveira, residente em Curvelo, um coleção de fotos de todos os militares que tiveram, de uma forma ou de outra, atuação nas perseguições a Antônio Dó.
Entre as fotos, uma do alferes João Baptista de Almeida oficial que faleceu no primeiro embate contra Antônio Dó e outra do alferes Octávio Campos do Amaral, o último oficial que comandou uma expedição contra Antônio Dó, que recebeu ordens do coronel Ornelas para desocupar o Estado de Goiás.
Também me foram mandadas, entre outras, fotos do tenente Raymundo de Mello Franco, do soldado Hermenegildo Francisco de Magalhães, do major Américo Ferreira Lima (delegado de polícia em São Francisco), do coronel Olímpio José Pimenta, do anspeçada Antônio Domingues Martins. Para minha surpresa, uma foto do Dr. Duque (Euclides Gonçalves de Mendonça, ilustre advogado são-franciscano que saudou o presidente Epitácio Pessoa, em 7 de outubro de 1922, quando da inauguração da ponte Marechal Hermes, em Pirapora) e outra do próprio Antônio Dó.
O sargento Raimundo de Oliveira, como informa o historiador Geraldo Tito Silveira, “fora soldado raso durante algum tempo, destacado em Curvelo, onde se casou e ganhou fama de valente, tanto que o apelidaram de “Felão”, o Alferes mais terrível da antiga Força Pública, que deixou seu nome ligado ao do bandoleiro Antônio Dó e de seu reduto em Várzea Bonita”.
Esclarece Geraldo Tito Silveira que o sargento Raimundo gostou de ser Cabo e valorizava essa patente militar, e descreve:
“O sgt. Raimundo estava sentado num bar, lendo a Histórica da Polícia Militar, exatamente sobre a Revolução de 5 de julho em São Paulo , no capítulo em que o autor mineiro encontrou no Hipódromo um carneiro ferido, levando-o para Belo Horizonte, depois de curá-lo, tornou-se o Mascote do 5º Batalhão. Ouviu da mesa vizinha o seguinte:
- Cabo que foi soldado não presta...
Seu orgulho de ter sido Cabo aflorou nele àquela hora, fazendo com que se levantasse e pegando o indivíduo pela gola da camisa e lhe dando uns muçungões, perguntou-lhe aos gritos:
- Por que Cabo que foi soldado não presta?
O sujeito espantado com a agressão, seguro pela gola da camisa, sem atinar com aquela atitude do sgt. Raimundo, respondeu-lhe:
- Porque não deixa passar a corrente para a bateria.
Gritando, perguntou:
- Que bateria?
- A bateria do carro – explicou o indivíduo. – Quando o cabo for soldado, a solda não deixa a corrente passar.
Os dois eram mecânicos e falavam no cabo da bateria que, recebendo solda, não dava passagem para a corrente elétrica.”
Meus agradecimentos ao sargento Raimundo pela valiosa contribuição fotográfica.

 

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