MAU CHEIRO | Moradores acusam a Santanense e vereadores a Copasa

No destaque, Edivio Bernades, que pediu providências

A audiência pública, realizada pela Câmara Municipal para discutir o mau cheiro que domina o Grande Renascença, mostrou uma curiosidade: os vereadores apontaram suas suspeitas para a Estação de Tratamento de Esgoto da Copasa, enquanto os moradores apontaram a indústria têxtil Santanense como responsável pelo problema. As audiências legislativas esbarram no sério problema dos vereadores falaram antes da população e acaba provocando essa situação de contradições. A Santanense foi enfática ao explicar que não tem qualquer culpa pela situação, enquanto a Copasa explicou que mandou fazer estudos e somente no dia 12 de junho terá a resposta do laudo. Nem a Secretaria Municipal de Meio Ambiente a Superintendência Regional de Meio Ambiente mandaram representantes.

A audiência pública sem qualquer setor de fiscalização ambiental
(Fotos: Girleno Alencar)

O gerente de saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Aluizio Cunha, explicou que a Vigilância Sanitária, Vigilância Ambiental e Centro de Controle de Zoonose vistoriaram as empresas e a Copasa, quando observaram que existe o odor desagradável, mas não encontraram vestígios das causas e origem. Roberto Luiz Botelho, da Copasa, explicou que a ETE produz o sulfeto de hidrogênio, mas não sabe se isso é a causa do mau cheiro e, por isso, espera o laudo oficial, mas propôs que a mesma medida seja adotada pelas empresas suspeitas do odor desagradável. O presidente da Câmara, Claudio Prates, anunciou que a Comissão de Meio Ambiente acompanhará as medidas a serem tomadas. Outros vereadores foram incisivos em acusar a Copasa.

Porém, quando foi aberto o espaço para a população falar, veio a surpresa: os moradores afirmam que a Santanense abriu uma valeta onde é despejado seu esgoto e isso atormenta a população. Edivio Silva Bernardes salientou que todos sabiam quem causou a situação e se tivesse fiscalização, isso seria evitado. Davidson Lazaro também direcionou as críticas a essa situação e denunciou que depois das 22 horas não se consegue dormir com as janelas abertas, por causa do mau cheiro. Arnaldo Fonseca considerou uma falta de respeito e que o cheiro deixa a sensação de estar em chiqueiro. Miriam Vanessa explica que os moradores perdem o direito de ir e vir, pois tem de ficar presos em casa, com as portas e janelas fechadas.

Fátima Alexandre Prates reside no bairro Floresta há três anos e citou que todo mundo sabe que a valeta aberta pela Santanense provoca a situação e, por isso, se o Poder Público não resolver, a população vai entupir essa valeta e a empresa sentira os impactos com a chuva. Plinio Fonseca, do bairro Amazonas, explica que reside ali há 30 anos e nunca tinha sentido o mau cheiro, mas desde quando a Copasa construiu a ETE que o clima ficou péssimo. Hercilaine Pereira salienta que todos sabem da descarga de esgoto solta pela Santanense e agora tem de saber se o Poder Público tomará as providências.

Davidson Lázaro lamentou a situação (Foto: Girleno Alencar)
Arnaldo Fonseca se queixa do quadro de poluição (Foto: Girleno Alencar)
Miriam Vanessa lamentou a falta de liberdade dos moradores (Foto: Girleno Alencar)
Fátima Alexandre ameaça entupir valeta da fábrica (Foto: Girleno Alencar)
Plinio Soares cobrou uma solução (Foto: Girleno Alencar)