Jardim Alegre vive a tristeza dos problemas

O lotação tem dificuldades de trafegar pelas ruas esburacadas, como mostra o destaque

O bairro Jardim Alegre, criado em 2013 depois de mais de 40 anos como comunidade rural de Facela, tem aproximadamente 1.500 moradores e  vive um quadro contrário ao seu nome, pois a tristeza é geral: esbarra na falta geral de infraestrutura, com as ruas  e  vias de acesso esburacadas, sem rede de esgoto e,  ainda, sofre com a falta de  área de lazer. Totalmente abandonado pelo poder público, o bairro fica no outro lado do Anel Rodoviário Leste, mas nos anos eleitorais recebe uma grande quantidade de promessas. Para agravar a situação, a desunião das suas lideranças acaba favorecendo esse problema,  pois a Associação dos Moradores está sem líder, sendo substituída por um Grupo Social, que também não consegue mobilizar os moradores.

A estrada de acesso ao bairro sem estrutura
(Fotos: Girleno Alencar)

A situação do Jardim Alegre tem sido acompanhada pela GAZETA desde o ano de 2015. No dia 29 de abril de 2016, os moradores realizaram protesto interditando a pista de acesso para cobrar melhorias. Depois, vários políticos sempre estiveram ali, com mil promessas, mas sem nada ser realizado. A maior indignação dos moradores é que o bairro passou a sediar o Cemitério da Cidade, mas sem agregar qualquer benefício, pois até o asfaltamento da via de acesso foi mudado para outra localidade. No dia 15 de maio, será realizada nova reunião no bairro, com a expectativa de tentar mudar esse quadro.

O drama de descaso com o bairro é relatado pela moradora Orleide Ferreira Pires, de 48 anos, e com 31 anos de moradia no bairro Jardim Alegre, depois de vir de São João da Ponte. Ela  lamenta a situação que o bairro vem passando desde sua criação. As avenidas Rio Verde e Facela, que interligam o Anel Rodoviário ao bairro, estão dominadas pela poeira e buraqueira e ainda pela escuridão. Os veículos correm risco de caírem nos buracos laterais. A escuridão é total. Com isso, depois das 18 horas, ninguém entra ou sai do bairro, com medo da ação dos marginais. Faz um ano que a água chegou ao bairro, mas falta rede de esgoto e, com isso, os moradores tiveram que abrir fossas. A água que usam é despejada em vasilhames e, depois, derramada dentro das fossas.

Ela também reclama da falta de um Posto Policial, pois o único que existe fica no Anel Rodoviário, em posto de combustível na entrada e a dois quilômetros de distância. Orleide afirma que muitas vezes, os moradores ligam pedindo a ajuda da Polícia Militar, mas o atendimento demora demais. Na saúde, foi criada uma equipe de Saúde da Família, onde o medico atende às quartas e sextas-feiras, a três anos. Isso já aliviou muitos, pois antes os moradores tinham de procurar o atendimento nos bairros Primavera ou Independência, tendo que cruzar o Anel Rodoviário, com seu fluxo de mais de 12 mil veículos por dia.

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Essa situação de abandono é reforçada pela comerciante Léia Ferreira, mãe das gêmeas Isabela e Isadora. Os moradores contam apenas com dois espaços de lazer e ação comunitária: a quadra poliesportiva da escola municipal Laudelina Fonseca ou o pequeno campo de futebol que é cercado pelas casas, às margens da avenida A. Ela lembra que o bairro não tem nenhuma praça ou espaço para os moradores de confraternizarem. Inclusive não tem nenhuma creche. Ela antes trabalhava como cuidadora de idosos, mas depois de engravidar-se, saiu do trabalho, pois não tinha onde deixar as duas filhas gêmeas.

A comerciante lembra que o programa Tempo Integral ajudava os moradores, pois as crianças ficavam das 9 às 17 horas na escola. Porém, o programa foi suspenso e complicou a situação dos pais que precisam trabalhar fora. Como forma de sobreviver,  Léia montou um barzinho as margens do campo de futebol e anexado a sua casa, que virou renda para a subsistência familiar.

O esgoto corre a céu aberto (Foto: Girleno Alencar)
As ruas do bairro precisam de patrolamento (Foto: Girleno Alencar)