Hospital das Clínicas acusado de fazer partos sem ter CTI neonatal

O Hospital das Clínicas, vinculado a Soebras/Funorte, está sendo acusado de fazer partos de pacientes do Norte de Minas, sem a disponibilização de leitos de neonatal para atender os possíveis casos emergenciais. A denúncia formulada ao jornal GAZETA, por telefone, citou um caso ocorrido na semana passada, onde uma senhora realizou um parto e a criança precisou ser internada em UTI Neonatal, mas isso não foi possível, pois, apesar de contar com os leitos, não tem profissionais para atender esse serviço. Ontem de manhã, o diretor geral do hospital, Jonathas Rodrigues, ficou surpreso com a acusação, pois afirma que a realidade é bem diferente e que o CTI atende ao que surge, mas não está aberto a todo publico por depender do credenciamento.

O Hospital das Clínicas (Foto: Girleno Alencar)

Atualmente apenas a Santa Casa e Hospital Universitário fazem partos pelo Sistema Único de Saúde, pois o Hospital Aroldo Tourinho paralisou sua maternidade. O diretor Jonatas Rodrigues afirma que o Hospital das Clínicas tem 20 leitos de Neonatal, mas 10 estão à disposição e são usados a partir da demanda surgida no próprio hospital. Ele lembra que pelo fato de ainda não estar credenciado no SUS, tem atendido a população somente nos casos que passam pelo curso de Medicina. Mesmo assim, estão sendo realizados 200 partos por mês, onde de três a cinco por dia serão sem qualquer despesa para as famílias selecionadas. O diretor esclarece ainda que na próxima semana será instalado o Pronto Atendimento Pediátrico, onde durante 24 horas contará com medico pediatra.

Desde o ano de 2015 que o Hospital das Clinicas tem procurado o credenciamento junto ao SUS. Isso acabou gerando muita polêmica, culminando com a prisão do então prefeito Ruy Muniz, que é acusado pelo Ministério Público federal de ter retido os recursos dos outros hospitais para justificar a abertura do seu hospital. No chamamento público realizado em 2016, o Hospital das Clínicas deixou de ser credenciado e habilitado a atender pelo SUS por uma falha simples: não anexou o alvará de funcionamento municipal, que curiosamente tinha que ser fornecido pelo então prefeito Ruy Muniz, dono do hospital.