Estado oferece mais 1,2 milhão para Moc reassumir gestão

O Estado ofereceu o incentivo de mais R$ 1,2 milhão por mês para a Prefeitura de Montes Claros reassumir a Gestão Hospitalar, que desde julho de 2015 está sob controle estadual. A coordenadora técnica do Colegiado dos Secretários Municipais de Saúde de Minas Gerais, Paola Soares Motta se reuniu com o prefeito Humberto Souto, a secretária municipal de saúde, Dulce Pimenta e ainda o superintendente regional de saúde, Maquiedem Durães Viriato, além de técnicos do SUS, quando anunciou que poderá ser repassado o incentivo de R$ 1,2 milhão por mês do Prohosp Compartilhado, para aliviar o prejuízo atual de R$ 2 milhões por mês.

Essa foi a primeira reunião oficial com o prefeito Humberto Souto para discutir o retorno da Gestão Hospitalar. Porém, o prefeito pediu um tempo, pois alega que a falta de garantia de repasse de recursos, por causa da crise financeira, o impede de reassumir essa gestão. Esse incentivo de R$ 1,2 milhão que foi ofertado a Montes Claros já está sendo repassado a outros municípios mineiros, como Betim, Contagem, Coronel Fabriciano e Governador Valadares. Na abertura da reunião, a secretária municipal de Saúde, Dulce Pimenta mostrou que a Gestão Hospitalar impacta em despesa de R$ 12 milhões por mês, mas o SUS repassa apenas R$ 11 milhões e para agravar, ainda tem uma dívida acumulada.

A reunião discutiu a gestão da saúde (Foto: Girleno Alencar)

Numa explanação de 35 minutos, o prefeito Humberto Souto mostrou como a Gestão Hospitalar sempre foi usada para eleger familiares de prefeitos de Montes Claros, pois se faz politicagem nessa área, como furar a fila de exames e outros problemas. Salientou que os R$ 200 a 300 milhões dos recursos hospitalares foram usados para um aumento falso do orçamento, permitindo mais contratação de servidores e ainda propagandear que tem recursos em caixa. Porém, a realidade era bastante diferente e por isso, diante do quadro que recebeu, preferiu adiar o retorno da gestão municipal. Salientou que essa sua preocupação é quase uma decisão, mas definirá a situação depois de ouvir a secretária municipal de saúde, Dulce Pimenta.

A sua preocupação é com a falta de recursos para pagar o extrateto, pois recebeu o relatório de quase 70 pacientes nos corredores hospitalares. Aliado a isso, ainda tem a dificuldade do Estado com a situação financeira, além do secretário estadual Sávio Souza Cruz ter assegurado não ter dinheiro para cobrir qualquer outra despesa. Humberto Souto explicou que recebeu a direção da Santa Casa, que mostrou estar difícil manter todos os serviços e por isso, poderá desativar alguns atendimentos. “Se eu assumir a Gestão Hospitalar, estarei assumindo esse tipo de problema. Por isso, o Estado tem de apontar uma solução”, enfatiza o prefeito.

Uma das alternativas que ele propôs é do Estado retirar o Hospital Universitário da cota do SUS destinada a Montes Claros, mantendo com a cota estadual. Isso o permitiria dividir o que se gasta com o HU com os outros três hospitais. Souto acabou discutindo com o superintendente regional de Saúde, Maquiedem Durães Viriato, pois alega que foi informado que o Estado não estaria pagando aos hospitais. Maquiedem propôs que sentassem na mesma mesa os gestores municipais e dos hospitais, com o Estado, para esclarecer essa duvida e ver quem está recebendo e quais serviços estão sendo prestados. A secretária municipal Dulce Pimenta mostrou que faz um ano o Estado não repassa os recursos da atenção básica.

A coordenadora técnica do COSEMS, Paola Soares Motta, salientou que os hospitais de Montes Claros recebem um incentivo extra do SUS, por causa das suas peculiaridades e mostrou que um leito de UTI custa R$ 468,00 em todo Estado, mas em Montes Claros se paga de R$ 800,00 a R$ 1 mil. Salientou ainda que Montes Claros perdeu a gestão em 2015 por descumprir o contrato do SUS. (Foto-Destaque: Jornal Montes Claros)