Conheça uma diretora que é promessa no cinema local

*Cineasta e Professor


Coluna Cinema com Pequi

A montes-clarense Anny Costa é uma promessa talentosa na arte de contar histórias. Reflexões, delicadeza e sensibilidade são leituras visíveis nas imagens de suas produções. A diretora se define como sendo uma pessoa observadora das minúcias do mundo. “Tento atribuir significado a tudo que nos cerca, acredito que essa seja a melhor forma de produzir arte”. Anny Costa é uma aspirante diferenciada na produção cinematográfica local. “Até o momento, meu único trabalho cinematográfico foi o curta “Entre risos”, produzido com a intenção de ser veiculado na 1ª Mostra Pequi de Audiovisual em 2016 que, inclusive, está disponível no youtube. O que mais me marcou na produção do curta foi à experiência obtida e compartilhada com os companheiros de produção: Samuel Brito, Dhandara Entreportes e Yanik Martins. A produção artística nos eleva ao patamar de criadores e a sensação de ter sua arte disseminada é gratificante”.

A diretora Anny Costa recebeu menção honrosa com o filme “Entre Risos”,
na 1ª Mostra Pequi de Audiovisual do Norte de Minas / 2016

Ela completa ainda. “No período em que produzimos o filme eu era estudante do curso de Publicidade e Propaganda o que proporcionou ao filme um aporte teórico determinante, apesar da ausência de experiência de produção”. A diretora falou sobre produção. “A produção cinematográfica, assim como as demais produções artísticas, necessita não só de criatividade e engenhosidade, mas de estudos e pesquisas, os quais determinaram o refinamento dos resultados”. Ela participa também do Clube do Filme de Montes Claros.

O ator Yanik Martins no filme “Entre Risos”, menção honrosa na Mostra Pequi / 2016

“A iniciativa da Mostra Pequi e dos grupos de estudos vinculados a ela me mostrou a quantidade de pessoas cujas produções têm um enorme potencial, mas que muitas vezes permanecem na penumbra devido à ausência de suporte e apoio da comunidade. Montes Claros possui um terreno fértil para as 

artes”. A diretora Anny Costa falou do seu mais novo projeto. “Tenho um novo trabalho que já está sendo produzido com o apoio do amigo Samuel Brito. Esse trabalho trata-se de um documentário e segue a mesma linha de raciocínio do curta “Entre risos”, abordar assuntos que permeiam a essência humana é o meu objetivo”. Ela deixou ainda, uma mensagem a todos os artistas do cinema norte mineiro. “Nós, artistas independentes, devemos persistir na tentativa de disseminar nossas produções, afinal a essência que depositamos em nossos objetos de trabalho nos elevará ao patamar do reconhecimento”.



ENTENDENDO A “CABEÇA” DE DOROTHY NO FILME “O MÁGICO DE OZ”
(Lendo as Imagens do Cinema, por Alexandre Naval)

Como dirigir um personagem como Dorothy (Judy Garland) do filme “O Mágico de Oz”, se a atriz que a representará, não conhece a psique (mente ou fase humana) da personagem? Simples assim. Será? Não podemos correr o risco de construirmos personagens caricatos e/ou superficiais. Para que isso não ocorra, temos que humanizar nossos personagens, dar “peso” dramático, devemos conhecer os subtextos da história. A jornada da nossa heroína, nada mais é que a projeção de seus conflitos humanos em fase de transformação da imaturidade para a vida adulta. Uma criança que através de seus sentidos começa a conhecer o mundo em sua volta. O filme nos é apresentado através das tristes imagens cinzentas em preto e branco da fazenda de seus tios, no Kansas.

Ela é uma garota feliz junto com seu cachorrinho Totó. Este é o mundo comum de Drothy. Ali perto mora também uma senhora nada amistosa e um senhor com uma “carroça” de possibilidades, que nada mais é, o mentor de Dorothy, nesta fase da história. Ele tenta impor limites a nossa heroína. Um ciclone é uma força poderosa da natureza e simbolicamente através dele, Dorothy é alçada para um mundo também simbólico do inconsciente. O mundo de Oz. A intuição, coragem, medo, bondade e instintos ainda não conhecidos da nossa heroína, serão personificados através de arquétipos (personagens secundários da história). Quando um personagem é lançado à aventura, as imagens dessa nova fase têm que ser bem contrastada da anterior.

No filme “O Mágico de Oz”, Dorothy através de uma porta é lançada a aventura. A imagem do mundo de Oz é colorida e bem iluminada, contrastando com a fazenda no Kansas. Os contos de fadas apesar de serem hoje vistos como entretenimento ou como algo infantil, nos mostram em sua estrutura e em seu significado mais profundo algo de uma seriedade ímpar. Na obra O Mágico de Oz do escritor norte-americano L. Frank Baum, a heroína Dorothy passa por uma séria de provas iniciatórias onde irá passar da imaturidade da infância para a vida adulta. Nesse fim de semana, assistam “com outros olhos” o filme “O Mágico de OZ”, ano 1939, direção Victor Fleming, disponível no youtube.

Filme “O Mágico de OZ”, ano 1939, direção Victor Fleming, disponível no youtube