Inadimplência com cheques em maio atinge maior percentual em oito anos

A inadimplência com cheques devolvidos pela segunda vez por insuficiência de fundos no país foi de 2,39% em maio, segundo pesquisa divulgada pelo Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos. Esse é o segundo maior percentual registrado desde 1991 para o mês de maio, quando a Serasa passou a fazer o estudo. O maior registro foi em 2009, com 2,59% do total de emissões. De acordo com o economista Geraldo Matos Guedes, o aumento da inadimplência dos consumidores é reflexo da redução dos postos de trabalho que limita o poder de compra da população. “O consumidor começa a atrasar pagamentos porque se desempregou, o que gera preocupações para o setor, porque quando o cliente está inadimplentes ele está fora centro de compras”, comenta Guedes. Ainda segundo o especialista, deve-se avaliar também que o maior endividamento do consumidor motivado também pela inflação alta e as elevadas taxas de juros continuam sendo a razão primeira para justificar qualquer modalidade de inadimplência. “Em termos de perspectiva, a deterioração das condições econômicas compromete a inadimplência que deve manter alta nos próximos meses diante do cenário econômico atual e da baixa perspectiva de retomada do crescimento do país no curto prazo”, pondera. Para o comerciante Carlos Miguel de Souza, esses dados não trazem nenhuma surpresa, pois sempre após datas comemorativas em que é registrado aumento nas vendas, o número de chegues sem fundos também apresentam um crescimento. Para diminuir os prejuízos ele fará mudanças. “A partir do próximo mês vou deixar de receber o cheque como forma de pagamento ficando somente com os cartões de crédito e de débito e pagamento em dinheiro”, relata o comerciante. Em Minas Gerais, a devolução de cheques entre janeiro e maio foi de 2,26%, um dos estados que registrou índices de inadimplência nos cinco meses do ano e inferior ao índice nacional acumulado no período de 2,42%.