PATRIMÔNIO CULTURAL | Centro histórico de Grão Mogol é tombado

Grão Mogol uma das cidades mais belas e antigas do Norte de Minas, foi reconhecida pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais (Conep), como patrimônio cultural do Estado. Com 17 mil habitantes, a cidade tem 167 anos de fundação, mais sua ocupação é muito mais antiga.  O povoado Serra de Santo Antônio do Itacambiraçu, atual Grão Mogol, teve sua origem relacionada à descoberta de diamantes no final do século 18. No ano de 1839, o lugarejo era chamado de Arraial da Serra de Grão Mogol e logo passou a atrair pessoas do país e estrangeiros, que provavelmente, atuavam na exploração de diamantes, e construíram o centro da cidade.

A decisão do tombamento, foi anunciada em reunião realizada na sede do Iepha-MG, na última terça-feira (20).  O Centro Histórico de Grão Mogol se junta a outros bens culturais já protegidos por tombamento e reconhecidos como patrimônio cultural de Minas Gerais.

Na reunião, o secretário de estado de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo, falou sobre a importância do tombamento do núcleo histórico para os mineiros. “Grão Mogol é uma significativa cidade histórica, com valores patrimoniais e culturais muito característicos da região mineradora, tornando-se um dos pontos importantes de exploração do diamante”, falou.

O centro possuí diversos prédios conservados construídos
no final do século 18 (Fotos: Divulgação)

Ainda de acordo com o secretário, o município desenvolveu um processo sociocultural de grande significado que é reconhecido agora como patrimônio de todos os mineiros. “O reconhecimento do Centro Histórico de Grão Mogol como bem cultural de Minas Gerais deve ser recebido com muita alegria por toda comunidade grão-mogolense”, enfatizou o secretário.

Para a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, nos últimos anos, a entidade realizou um trabalho intenso em parceria com as comunidades locais e universidades, com o objetivo de pesquisar e compreender a região do Rio São Francisco como patrimônio cultural do Estado.

“O tombamento de Grão Mogol reafirma um momento do Iepha de olhar para a diversidade dos centros históricos que o estado possui”, ressalta Michele Arroyo, observando ainda que este contexto permite fortalecer o diálogo com o poder público em relação à preservação do patrimônio cultural da cidade.

Membro do Conep e professor da Universidade de Montes Claros, Denilson Meireles, também falou sobre a relevância dos trabalhos realizados pelo Iepha-MG no Norte de Minas Gerais. Para ele, a região recebe merecido reconhecimento. “O inventário Cultural do Rio São Francisco, somado ao tombamento do Centro Histórico de Grão Mogol, demonstram o quanto o Norte de Minas contribui com a sua diversidade para o fortalecimento da cultura mineira”, relatou o professor.

A notícia encheu de entusiasmo o secretário de cultura da cidade, Rogério Augusto Reis Figueiredo. “Há dois anos o centro histórico foi tombado pelo município, e agora temos uma proteção ainda maior com o reconhecimento do Estado”, falou.

Augusto Reis acredita que com o tombamento a nível estadual, mais recursos cheguem para a recuperação de casarões antigos. “Há muitos prédios em ruínas e o que esperamos é que com esse reconhecimento de patrimônio estadual, mais recursos cheguem para a recuperação desses lugares”, disse.