Governo de Minas reconhece Folias de Reis como Patrimônio Imaterial do Estado

Além das Folias de Minas, outros três bens culturais já foram reconhecidos como patrimônio imaterial do Estado

No dia que marca a comemoração do Dia de Reis, 6 de janeiro, o Conselho Estadual de Patrimônio de Minas Gerais (Conep) reconheceu as Folias de Minas como Patrimônio Imaterial do Estado.

Uma pesquisa realizada pelo O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), mostra que grupos de 285 municípios foram cadastrados, o que abrange os 17 territórios estaduais demarcados pela atual gestão. De acordo com o levantamento, que durou aproximadamente um ano, são 50 tipos de devoção. Uberaba, no Triângulo Mineiro, é o que mais possui grupos cadastrados. Em seguida, vem João Pinheiro, na Região Noroeste do Estado, com 34. Dos 1.255 grupos que realizaram o cadastro, 883 se declararam devotos aos Santos Reis, 255 a São Sebastião, 193 ao Menino Jesus e 130 ao Divino Espírito Santo.

Além das Folias de Minas, outros três bens culturais já foram reconhecidos como patrimônio imaterial do Estado. Em 2004, foi o Modo Artesanal de Fazer o Queijo da Região do Serro. Em seguida, em 2013, foi a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte, que ganhou o reconhecimento. Por último, a Comunidade dos Arturos recebeu o título em 2014.

De acordo com a tradição católica, Baltasar, Belquior e Gaspar, os três Reis Magos, foram guiados pela Estrela de Belém até o local onde Jesus teria nascido.  "Os reis são figuras importantes na bíblia e para a igreja, porque eles representam todos os povos da face da terra", conta o padre Joaquim Ferreira de Almeida, pároco da Matriz de Santos Reis em Montes Claros.



A tradição no bairro Santos Reis já dura 84 anos

A tradicional festa é comemorada há 84 anos no bairro Santos Reis, em Montes Claros. Todos os anos, centenas de fies participam da programação na Igreja Católica, em homenagem aos três Reis Magos, conduzidos por uma estrela, até o local do nascimento do Jesus. As celebrações deste ano tiveram como tema “Com os Santos Reis queremos viver os valores da família de Nazaré”. As festividades começaram no dia 24 de dezembro e com término nesse domingo (8) na Igreja Matriz de Santos Reis, com a tradicional corrida rústica de Santos Reis. 

O pároco Joaquim Ferreira de Almeida destaca o porquê da tradição se manter viva por tantos anos. "A união da comunidade é fundamental. Os fiéis que preparam a festa todos os anos são os responsáveis por manter viva essa tradição. É uma festa de grande valor para foliões. Temos cantoria de folias, música de raiz, tudo o que o povo do Norte de Minas gosta”, destaca.

O padre falou sobre a dificuldade em dar continuidade à tradição, mas afirma que a Igreja têm se preocupado em mostrar aos cristãos o significado da data, e que o reconhecimento do Governo é um grande incentivo.

"Hoje, percebemos que muitas folias são realizadas de forma superficial, sem a essência do significado. e deturpadas. Temos trabalhado muito no sentido bíblico dos foliões, a tradição precisa estar aliada a fé”, finalizou. (Foto: Edson Gouveia)