DIA DOS PAIS | Pais e filhos estreitam laços de amizade trabalhando juntos em Montes Claros

O filho Rodrigo e o pai Ricardo no balcão na Joalheria deles

Empreendedores mostram que boa relação entre pais e filhos

reflete em bons negócios

Neste domingo (13) é comemorado o Dia dos Pais, e, como forma de homenageá-los, o Jornal Gazeta Norte Mineira vai contar histórias de empreendedores que tiveram o apoio dos pais para começar o próprio negócio, ou que decidiram seguir a mesma profissão deles. Estreitar laços, manter amizade e relação entre pai e filho. Além do convívio no dia a dia, esses pais e filhos de Montes Claros ‘estendem’ o prazo e convivem diariamente, também no trabalho. Eles aprendem juntos e ensinam um ou outro.

Pais e filhos da nossa região confirmam um estudo do Sebrae, realizado entre outubro e novembro de 2016, que mostrou que de cada 10 pequenos negócios mineiros, três são familiares, o que reforça a importância da boa relação no ambiente de trabalho.

Essa harmonia é constatada na Padaria Grão de Trigo, administrada pelo empreendedor Jair Moura com o auxílio do filho dele, Victor Hugo Moura de Souza, de 19 anos. Os dois trabalham juntos e, literalmente, colocam a mão na massa. Além disso, o pai faz questão de levar o filho para feiras, cursos e treinamentos.

Para o pai, a amizade e a cumplicidade geram conhecimento e agregam valor aos negócios da padaria. Orgulhoso da relação com o filho único, o ‘paizão’ conta que tudo começou muito cedo.

“O Victor cresceu praticamente dentro da padaria. Desde os cinco anos de idade frequenta o local e sempre demonstrou muito interesse pelos negócios. Nunca o forcei a trabalhar comigo. Sempre o deixei livre para escolher qual o caminho queria seguir. Mas ele preferiu ficar comigo, o que me deixa muito feliz e orgulhoso. A gente aprende junto”, declara.

 

O negócio em família começou há quinze anos, antes disso, Jair trabalhou em outra padaria onde aprendeu a gostar de panificação. O empreendedor que começou com apenas um colaborador por turno, hoje emprega 42 pessoas. E acredita que o negócio pode ir muito além com a ajuda do filho.

Se depender da dedicação de Victor, o negócio vai longe. Ainda com 17 anos, o jovem participou de uma Feira de Panificação e Confeitaria, em Munique, na Alemanha. Os dois já têm presenças confirmadas na edição do mesmo evento no próximo ano. A dupla participa do Programa Central de Negócios, coordenado pelo Sebrae Minas. No final de julho, eles participaram Feira Internacional da Panificação (FIPAN), em São Paulo.

Cursando o 5º período de Administração, Victor Hugo se diz fã do pai e destaca a importância dele para sua formação profissional. “Admiro ele como pai e como empreendedor. Quero aliar o aprendizado da faculdade como a experiência que ele me passa no dia a dia. Ele sempre apoiou, mas nunca me forçou a trabalhar na padaria. Já tomei a decisão de que vou continuar com ele, acompanho e participo de tudo, sempre com a supervisão dele e não me arrependo. É um orgulho trabalhar com meu pai”, enfatiza o filho.

 

Negócio de ouro

 

Uma das mais tradicionais joalherias de Montes Claros também é administrada por pai e filho. A Joalheria Voga funciona há 28 anos no centro da cidade, e o negócio sempre esteve em família.

Ricardo Guimarães Viana, de 58 anos, conta que herdou o negócio do seu pai, Salvador Viana, que também era joalheiro. Hoje, Ricardo se orgulha do filho Rodrigo Oliveira, que está seguindo o mesmo caminho.

“É uma honra ter o meu filho trabalhando comigo. É sempre importante essa mescla da minha experiência com as novas ideias do Rodrigo. Temos uma ótima relação de pai e filho e também nos negócios. Nunca tivemos conflitos de geração, se temos, são situações contornáveis que só nos fazem crescer. É comum a gente entrar pela noite conversando sobre novas ideias para a empresa. Somos parceiros em casa e nos negócios”, afirma.

A cumplicidade é confirmada pelo filho Rodrigo, 26 anos, formado em Direito. Ele conta que com 11 anos de idade já fazia trabalho de office boy na joalheria e tomou gosto pela área ao acompanhar o trabalho do pai. “Quase não autuei na área da minha formação, pois preferi trabalhar com meu pai e ajudar a administrar o negócio da nossa família. Comecei fazendo polimento em alianças, fui aperfeiçoando e não e me arrependo. Hoje, tenho uma profissão. Vou seguir o caminho do meu pai e com os ensinamentos e a experiência que ele me passa, pretendo manter a tradição do nosso negócio”, fala orgulhoso.

Em ambas as histórias, os empreendedores têm seguido a orientação dos filhos, e investido em aperfeiçoamento e inovação, o que para o analista do Sebrae, Walmath Magalhães, tem sido fundamental para manter os negócios promissores, ainda de acordo com analista, a boa relação entre pai filho é fundamental para o sucesso e a continuidade de empresas familiares. “A condução de negócios por familiares possui diversos aspectos positivos como a vantagem da continuidade de um modelo de gestão preservado por um líder que conhece a dinâmica da empresa com propriedade. Mesmo que o mercado exija mudanças e evolução, essa proximidade com o gestor garante consistência, legitimidade e identidade cultural da empresa para com seus clientes”, conclui.